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A primeira visão do "descobrimento"



O descobrimento do Brasil ainda é um assunto muito confuso e complexo, possivelmente por só termos acesso a diferentes abordagens, que não sejam demasiadamente eurocêntricas, quando ingressamos na faculdade. Isso, é claro, se optarmos por cursar História. Afinal, quem aqui nunca teve que decorar o nome do "descobridor" do Brasil, mas, em contrapartida, nunca ouviu falar que a etnia encontrada por ele quando chegou em nossa terra foi a Tupi (mas índio não é tudo igual?)? Pois é, muitos de vocês, principalmente se forem um pouco mais velhos, tiveram a mesma infelicidade que eu.

50 anos de Golpe Midiático




“50 anos do Golpe Militar: como afeta a economia do Brasil até hoje?”- Foi assim que o Bom Dia, Brasil, jornal da manhã da Rede Globo, se referiu à data histórica de 31 de março de 2014, dia em que o Golpe Militar brasileiro completou 50 anos. A ditadura militar brasileira durou mais de duas décadas e deixou cerca de 400 mortos e desaparecidos. Diante de tudo isso, questiono: seriam os efeitos na economia o assunto de maior relevância para se colocar em um dos telejornais mais vistos no país? Será que não tinha nenhum aspecto de maior interesse público a se abordar?

Por que o Mais Médicos tá causando tanto barulho na casa?

Jornalista Micheline Borges faz publicação no Facebook dizendo que médicas
 cubanas parecem com empregadas domésticas.
Ela deletou sua conta na rede social após a repercussão de suas declarações
Há quase dois meses o Governo Federal lançou o programa Mais Médicos, que tem o objetivo de aumentar o número de médicos atuantes na rede pública de saúde em regiões carentes, principalmente nas cidades interioranas. Para isso, “importaria” médicos estrangeiros, como de Cuba. A notícia causou o maior alvoroço desde seu anúncio até o momento atual, quando os cubanos já estão no Brasil. Mas por que tanto medo/ódio/aversão a esses profissionais? Vou levantar algumas... hipóteses.

Imagina na Copa



Sabe aquela vontade de ajudar o país ou a própria cidade, mas não sabe como? Problemas com o lixo, poluição, trânsito etc? O Imagina na Copa reúne diversas histórias de projetos que estão contribuindo de alguma forma para um país melhor, além de convocar missões para que todos possam agir coletivamente a partir de ações simples, mas muito significativas, e incentivar todos aqueles que ainda não sabem por onde começar. Um desafio de mudança até 2014.

Crítica pela esquerda

A crítica de outros setores de esquerda ao governo do PT precisa ser mais cuidadosa. Digo isso não porque comungo da retórica petista de que partidos como PSOL e PSTU servem apenas para engrossar o coro conservador da direita. Esse tipo de argumento parece, muitas vezes, bem mais uma tática de monopolização da representação política dos trabalhadores do que exatamente uma defesa racional. Mas o que venho percebendo, baseado principalmente nos acontecimentos das últimas semanas, é que a esquerda brasileira anda confusa, pois ainda não aprendeu a lidar com o fato de que, se não temos um governo de esquerda, tampouco temos um de direita. 

Isso não significa que a direita não tenha mais tanto poder quanto antes, mas que a esquerda, de uma forma ou de outra, vem conquistando mais espaço. Sabemos que a direita se encontra tanto fora quanto dentro do governo de coalizão montado pelo PT, e com muita força, como é o caso do PMDB e do PSC. No entanto, as políticas implementadas nos últimos dez anos possibilitaram um sensível aumento na renda da população brasileira. Ricos enriqueceram muito, mas pobres também alcançaram certo poder aquisitivo. Por outro lado, não avançamos de forma significativa em questões como soberania popular, direito à resistência ou combate à desigualdade social, pilares das propostas de esquerda.

Muita calma nessa hora

Em meio a tantos manifestos e tanta empolgação, eu também não poderia deixar de falar um pouco sobre tudo que vem acontecendo. Calma, não passarei horas escrevendo e nem vou prolongar o texto falando demais, serei bem objetivo.

Empolgação, quem nunca se empolgou por algo? Seja por um filme, um ambiente novo, pessoas novas... Um sentimento que nos deixa elétricos e, às vezes, faz com que ajamos sem pensar. E isso é o que vem ocorrendo com muitas pessoas ultimamente.

Sim, pode parecer emocionante e cool participar de tudo que anda rolando, mas vale frisar que não devemos agir apenas por impulso, sobrepondo a emoção à razão. Hoje, por exemplo, acompanhei por uns instantes um grupo que estava protestando no centro da cidade. Abordei um indivíduo que estava segurando um cartaz escrito: “Diga não a PEC 37”, perguntei para ele o que significa o PEC 37, recebi como resposta: “Não sei, juntei esse cartaz do chão para poder protestar”. Como foi citado no texto anterior do blog – Ideologia: Queremos uma para quê? -, não vamos perder o foco, tenhamos um objetivo claro. Não deixemos que toda essa empolgação nos faça andar sem rumo.

Ideologia: queremos uma para quê?

O Brasil está sendo bastante movimentado nos últimos dias por manifestações e protestos que se estendem a cada canto do país e, conforme os dias passam, o número de seus manifestantes cresce surpreendentemente. Todos gritam frases como “O Brasil acordou”, “Todos contra a corrupção”, “Queremos mais saúde e educação e menos Copa”, mas a questão é: dentre tanto “querer” existe um “por quê”?

Tudo começou com o aumento da passagem de ônibus, em São Paulo, de R$3,00 para R$3,20, o que foi, para muitos, o estopim para todas as injustiças que a população suportava até aquele momento, levando inúmeros paulistanos às ruas para manifestar e exigir seus direitos de cidadãos e mostrar que não são estúpidos como o governo pensa. Entretanto, o que seria apenas mais uma reivindicação, acabou por influenciar todo o Brasil e, ontem, 17 de junho, levou cerca de 210 mil pessoas às ruas de todo o país a protestar por seus direitos e buscar melhorias para o país. Eu acredito que o povo pode, sim, mudar o país, mas o que vi em algumas dessas manifestações é que não está havendo um foco e um objetivo a se alcançar. Ora, não me entenda mal, eu sei que todos buscam por direitos, mas eu pergunto: quais direitos? Saúde, educação e segurança? Mas qual é o plano para quando houver uma discussão entre autoridades e manifestantes? Apenas exigir seus direitos? Dizer "eu quero e quero isso agora"? Não sei se eu estou sendo clara, mas tentarei explicar melhor.

Fome x desperdício de alimentos no Brasil

O Brasil é um país que produz muito alimento, mas, mesmo assim, muitos brasileiros não têm o que comer. Isso ocorre porque enquanto alguns podem comprar em excesso, muitos não podem comprar nem o necessário à sobrevivência. Assim, pode-se afirmar que a fome e o desperdício de alimento formam um infeliz paradoxo na realidade brasileira.

Por um bom tempo, acreditou-se que o crescimento da população provocaria uma crise de fome no planeta, ideia sustentada pela teoria de Thomas Malthus, que acreditava que a produção de alimentos cresceria em progressão aritmética, enquanto a população cresceria em progressão geométrica. Portanto, aquela não conseguiria acompanhar esta.

Atualmente, entretanto, sabe-se que essa teoria é errônea: a produção acompanhou – e acompanha -, sim, a população. Aliás, no Brasil, essa produção chega a superar a quantidade necessária, sendo em 2011 25,7% maior do que seria preciso. Então, por que o problema da fome?

Nova Bossa Nova

Não, a Bossa Nova não morreu. Os tempos são outros e as pessoas também, mas a Bossa Nova está viva, de uma forma, bom... nova. Um dos exemplos dessa nova geração é a carioca Ana Cristina, que tem um timbre tão tranquilo que nos remete ao calçadão de Ipanema, como Tom Jobim.

A Bossa Nova nasceu no fim dos anos 50 por um grupo de compositores - em sua maioria, jovens - da classe média carioca, que juntou o samba e o jazz, duas manifestações populares de música. O estilo calmo e íntimo da Bossa Nova levava (e leva) o público ao final da tarde na praia de Ipanema, com uma roda de amigos, relaxando e  "curtindo uma brisa". Isso tudo sem se mexer, sem nunca ter ido lá, quão forte é o poder do estilo musical. 

Falso patriotismo

“Seu carro é americano,
Seu queijo é holandês,
Seu azeite vem da Espanha,
O seu vinho é português,
Dentro do seu palacete só se fala inglês.”
Falso Patriota – Geraldo Pereira

Em um belo dia de trabalho lá estava eu, tranquilo e fazendo meu serviço, até que ouço a conversa de duas pessoas: um dos indivíduos estava falando mal da Seleção Brasileira de Futebol e o outro criticando-o porque se deve, acima de tudo, ter amor à nossa pátria. Ah, quantas vezes já não ouvi isso... “Seja patriota”.

Nunca morei em nenhum outro país, portanto não sei como é o “amor pela pátria” por lá, mas aqui, no Brasil, as pessoas têm o costume de se acharem patriotas ao extremo, mas, na maioria dos casos, tudo não passa de pura hipocrisia. Por quê? Simples, se você se acha patriota apenas por torcer fervorosamente para uma seleção esportiva, parabéns! Zeus está lá no Olimpo rindo às suas custas enquanto você declara no Facebook que o Brasil é um país de merda e que você sonha morar em Paris.

Uma dose de cinema brasileiro, por favor

Decidi escrever um texto sobre o cinema brasileiro para tentar, apenas tentar, fazer com que as pessoas tirem da cabeça a ideia de que cinema nacional não é bom ou de que o cinema americano é infinitamente melhor. Já ouvi tantos absurdos sobre isso como, por exemplo, “cinema brasileiro é tão ruim que precisa de uma lei para nos obrigar a assistir”, me pergunto se pessoas que pensam dessa forma nunca assistiram a Central do Brasil, Cidade de Deus, Abril Despedaçado, Cinema, Aspirinas e Urubus e uma infinidade de outros filmes brasileiros que são verdadeiras obras-primas.

A explosão do RAP no cenário brasileiro

O RAP - termo que significa rhythm and poetry (ritmo e poesia) - surgiu na Jamaica na década de 1960. Esse gênero musical foi levado pelos jamaicanos para os Estados Unidos, mais especificamente para os bairros pobres de Nova York, no começo da década de 1970. Jovens de origem negra e latina, em busca de uma sonoridade nova, deram um significativo impulso ao RAP.

Esse ritmo veio evoluindo desde 1986, quando apareceu no cenário brasileiro e,  hoje em dia, vários ritmos foram adicionados às letras ritmadas, como, por exemplo, o samba, o rock e o reggae, e assim o público brasileiro foi tomando gosto pelo estilo de música que muito já sofreu preconceito por ser vista como música de periferia e associada à criminalidade.

O Brasil que o país desconhece

Zach Condon, vocalista do Beirut, durante apresentação em São Paulo.
Somos bombardeados diariamente pela cultura de outros países e algumas vezes acabamos absorvendo essa cultura e esquecendo a cultura brasileira. Algumas pessoas - os jovens, em sua grande maioria - escutam apenas músicas internacionais e acabam não conhecendo a própria música brasileira, que engloba artistas de uma qualidade incrível – não, eu não estou falando de artistas que cantam músicas com letras sem sentido e com refrão monossilábico, estou falando de artistas como Cazuza, Tom Jobim, Elis Regina, Chico Buarque, Caetano Veloso, Tiê, entre outros artistas que, por mais incrível que possa parecer, fazem mais sucesso no exterior do que no Brasil.

A novela do Mensalão

Em um país no qual pelo menos 70% das conversas entre pessoas são voltadas a este assunto banal chamado "novela"*, não é de se estranhar quando se percebe uma transgressão dessa ficção para o mundo real, ou seja, quando vemos que alguns tentam transformar a vida numa novela, fazendo de outras pessoas personagens que desempenham papéis específicos e comuns desse gênero televisivo: o vilão e o herói, por exemplo. É o que está acontecendo atualmente com o caso Mensalão – e a Imprensa, é claro, não poderia perder essa oportunidade para "colocar lenha na fogueira".
É sempre aquela história de superação do mocinho coitadinho que ascende socialmente e vira um herói, enquanto tem um vilão à espreita tentando impedi-lo de ter sucesso e tornar o mundo um lugar pior para viver. Pois é, eu disse "aquela história", com "h" minúsculo e não "aquela História", com "H" maiúsculo. Ou seja, é coisa de ficção. Vamos ser sinceros: a vida não é tão fácil de se analisar assim. Não mesmo. Mas é assim que muita gente está achando que é, a ponto de forçar a barra e começar a ficar preocupante.

Na esportiva

Não sou um fã de esportes - tenho apenas um comedido interesse por jogos de basquete -, mas não tenho nada contra a maior parte dos esportes em si, meu grande problema, mesmo, está muitas vezes ligado à atitude imbecil de alguns torcedores, e é, basicamente, sobre isso que meu texto irá tratar, meu desprezo por certos aspectos "esportivos". Por isso, seja prudente antes de continuar a lê-lo.

Começarei falando sobre a dita "paixão nacional", o futebol, o qual é considerado sagrado por alguns idiotas torcedores, os quais costumam ter sérios problemas para lidar com críticas ao seu idolatrado grupo de homens correndo atrás da bola (ou seriam empurrados pelo dinheiro?). Nesse caso, não tenho problema algum com o esporte, inclusive, joguei futebol na rua diversas vezes quando mais jovem. Mas não me vem à cabeça nenhum outro esporte no qual a qualidade do time, quase sempre, esteja diretamente ligada à quantidade de dinheiro que o mesmo possui. Alguém pode me dizer como posso respeitar um esporte no qual um time gasta mais de 150 milhões de reais na contratação de apenas um jogador?

Violência e criminalidade: do jovem, para o jovem

A violência e a criminalidade entre os jovens (tanto os que praticam quanto os que são vítimas) é um problema real, agravante e muito preocupante no Brasil. Essa mazela tem várias e diferentes causas e, por isso, é muito complexa de se entender. Assim, é necessário que não apenas se busquem as causas, mas, principalmente, que se encontre a solução. 

427442 15 de abril dia do desarmamento infantil 1 15 de abril: Dia do Desarmamento InfantilOs jovens que são vítimas da violência e da criminalidade saem de casa sem a garantia de voltar a salvos, a rua não é segura. Aqueles que praticam (a violência e a criminalidade – e, no fundo, também são vítimas delas) geralmente saem de casa em busca de oportunidades de melhoria de vida já que têm pouquíssimas perspectivas de futuro – e de presente. Mas é claro que cada caso é um caso. Há aqueles que praticam a violência sem apresentar o quadro de cotidiano retratado no parágrafo anterior, assim como os que são vítimas. Repetindo: as causas são variadas, o problema é complexo, deve-se focar nas soluções.

Música e talentos nacionais

Para você que acredita no mito de que para ser música boa ela tem que ser estrangeira, só tenho uma coisa para lhe dizer: você está mais do que enganado, meu caro. Mas isso é compreensível, todos nós somos vítimas da cultura de massa, vemos e ouvimos o que a mídia nos apresenta, vivemos em um país onde nós mesmos nos consideramos inferiores ao que é estrangeiro. No entanto, não vim aqui para criticar e sim para lhe apresentar músicas boas (e nacionais) que irão agradar aos seus ouvidos.

Eu poderia passar o dia falando sobre bandas e cantores fantásticos que, infelizmente, são pouco conhecidos, mas, como sei que se eu escrever demais ninguém vai ter coragem para ler tudo, vou tentar resumir ao máximo.

Rock vs. funk e a superioridade musical

Uma das coisas que mais me assusta – e enoja – na internet é a forma como as pessoas expõem seus preconceitos – dentre outras coisas obscuras – sem nenhuma culpa, coisa que eu não acredito ser resultado de uma ação ingênua, mas sim da sensação de segurança que o mundo virtual oferece para expor à vontade seus pensamentos, seja lá quais sejam.


No Facebook, rede social que, atualmente, é a mais acessada no Brasil, é possível ver a transparência das pessoas em relação a seus preconceitos, seja de forma sutil ou não. Um exemplo disso são as imagens virais que comparam músicos do rock com os de funk, mostrando uma suposta superioridade musical. São imagens cujas comparações caracterizam-se pela ausência de qualquer argumento decente. Ainda assim, o pior de tudo é ver o número de pessoas que as compartilham e dão continuidade a essa disputa sem sentido.

Hermanos

Dizem que a primeira impressão é a que fica. Por isso, tentarei começar causando uma boa. Falarei sobre Los Hermanos, atualmente, minha banda nacional predileta.

Recentemente, fui a um show deles, em uma turnê de comemoração dos 15 anos de existência da banda. Não sou o maior frequentador de shows do mundo, mas já fui para alguns (Iron Maiden, Skank, Biquíni Cavadão, Titãs & Paralamas, Maria Gadú etc), e digo com todas as letras: esse foi o melhor show para o qual já fui. Composições belíssimas, melodias contagiantes, mulheres lindas se pegando, o coro do público em TODAS as canções e aquela sensação indescritível de estar ligado a algo maior. Tudo isso sendo comandado por quatro amigos de faculdade, os quais resolveram formar uma banda há uma década e meia e acabaram se tornando uma das bandas mais influentes e adoradas no cenário musical nacional.