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O lego abissal de Eliane Brum

Ela, o bloquinho. As pessoas, a caneta. A tinta, a vida que segue e finda, mas deixa marcas na história. É sempre com esses elementos que Eliane Brum apura a complexidade da vida real e a converte em história escrita. Mas só consegue obter êxito porque ela se esvazia, por um momento, de sua vida para ser preenchida por outras.

No sentido que o filósofo inglês John Locke (1632-1704) atribui à frase, vejo Eliane Brum como uma “folha de papel em branco”, disposta a ser preenchida com histórias de (supostas) pessoas comuns. “É uma escolha política”, diria ela. Mistura-se tanto às narrativas da vida alheia ao ponto de tomar decisões decisivas, como reapropriar-se de seu tempo. Também pode ficar doente, perder ou ganhar peso e adquirir — sem pretensão, claro — três hérnias cervicais. O que não muda nesse processo é seu abissal desafio pessoal de mostrar que cada vida é extraordinária, porque “a gente só existe como narrativa”.

Adeus aos serviços postais?

Novo! Lançamento! Atualize-se! Essas e mais outras expressões estão constantemente no nosso cotidiano, nos persuadindo para nos mantermos "modernos" diante de um mundo que depende cada vez mais da tecnologia nas relações profissionais e, sobretudo, nas relações sociais.

Soterramento de dignidade

Praticamente todo ano, no Brasil, centenas de pessoas morrem, ou perdem parentes e/ou conhecidos, em razão destas ocuparem áreas de risco, não é verdade? Meia verdade. Isso é o que nós ouvimos falar pela mídia todas as (frequentes) vezes em que casos como esses acontecem e por se tratar de uma meia verdade, torna-se uma mentira completa.

Por meio desse discurso transmitido (insistentemente) na mídia televisiva, os moradores de morros e favelas, em especial os pobres, são culpabilizados pelos deslizamentos de terra e inundações (e, consequentemente, por decretarem a sua própria morte), eximindo o Poder Público de qualquer responsabilidade.

Facebook sentimental

Inveja. Esse é um dos sentimentos estimulados pelo Facebook, segundo uma pesquisa realizada em conjunto pela Universidade de Humboldt e Universidade Técnica de Darmastadt. O estudo, intitulado em português “Inveja no Facebook: Uma Ameaça Oculta à Satisfação da Vida dos Usuários?”, sugere que os usuários dessa rede social em questão são passíveis de despertar sentimentos negativos, devido, dentre outros motivos, à facilidade de comparação a que estão sujeitos.