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A primeira visão do "descobrimento"



O descobrimento do Brasil ainda é um assunto muito confuso e complexo, possivelmente por só termos acesso a diferentes abordagens, que não sejam demasiadamente eurocêntricas, quando ingressamos na faculdade. Isso, é claro, se optarmos por cursar História. Afinal, quem aqui nunca teve que decorar o nome do "descobridor" do Brasil, mas, em contrapartida, nunca ouviu falar que a etnia encontrada por ele quando chegou em nossa terra foi a Tupi (mas índio não é tudo igual?)? Pois é, muitos de vocês, principalmente se forem um pouco mais velhos, tiveram a mesma infelicidade que eu.

Educações e racismos



Pensei bastante antes de falar sobre discussões historiográficas num blog mais "leve" como o Fragmentos. Sabendo que a leitura acadêmica fora das universidades ainda é muito restrita, imaginei que uma resenha desse tipo não agradasse aos internautas, leitores mais acelerados e multifuncionais. Por outro lado, gosto sempre de lembrar que o texto mais visualizado dessa coluna trata sobre o mito da democracia racial no Brasil, desconstruído justamente a partir de referências acadêmicas. Outrossim, se não fosse para ultrapassar os muros da universidade, como normalmente acontece, e socializar os conhecimentos produzidos ali, não faria sentido para mim estudar numa instituição pública. Na verdade, não faria sentido estudar.

Ilhas Malvinas/Falklands: disputa entre duas nações



As Ilhas Malvinas, como são chamadas pelos argentinos, ou Falklands, pelos ingleses, compõem um arquipélago situado no situado no Atlântico Sul. Ele é constituído por duas ilhas principais: Grande Malvina (Falkland Ocidental) e Soledad (Falkland Oriental), possui aproximadamente 12.000 quilômetros quadrados de área e cerca de 3 mil habitantes, que são, em sua maioria, britânicos. A criação de ovelhas e a pesca são as principais atividades econômicas. Lendo essa pequena descrição sobre esse arquipélago, situado a 500 quilômetros das costas argentinas e a 12.000 quilômetros de Londres, poucos imaginariam que ele é um foco de tensão entre Argentina e Reino Unido desde 1833.

Elementos do mito da democracia racial no Brasil

O Império brasileiro ainda era recém-formado quando o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) foi instituído em 1838. Este foi um momento em que o Império estava sendo governado por uma Regência, não por um imperador. Período em que ocorreram inúmeras revoltas regionais (algumas separatistas), as quais, entre outros fatores, provocaram fortes preocupações em relação à manutenção da unidade nacional. Tínhamos ainda o Romantismo na literatura dos escritores de maior destaque no cenário nacional, como Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães e José de Alencar, muitos deles ligados à administração pública e ao poder político. Representantes daquela que ficou conhecida como a “primeira geração” do Romantismo brasileiro, suas obras eram marcadas pela exaltação das características, dos valores e dos símbolos nacionais. A partir de suas visões de mundo, exaltar o Brasil significava, muitas vezes, exaltar dois personagens primordiais, os índios e as matas, ambos percebidos de forma uniformizada e idealizada.

A Terceira Onda

Ao ler, estudar, ouvir e/ou refletir sobre algo relacionado aos regimes fascistas que um dia assolaram o mundo, sem dúvida você irá questionar como cidadãos comuns puderam se submeter a um líder ao ponto de aceitar o massacre de outros povos supostamente inferiores, subjugá-los pelo “crime” de serem diferentes e ainda assim, após o término de tal regime – provavelmente pela derrubada de seu líder – afirmar que nada sabiam sobre as atrocidades cometidas, apesar de terem feito parte do acontecido, apoiando o governo totalitário sob o qual viviam. Vale ressaltar que o governo totalitário diferencia-se do autoritário pelo fato de que o primeiro impõe suas vontades e convence o povo de que são boas e/ou necessárias, ao passo que o segundo apenas as impõe.

Feitas essas reflexões, poderá pensar ainda que esse tipo de Estado, dificilmente seria possível nos dias de hoje, dado o contexto no qual vivemos. Entretanto, um experimento feito pelo professor Ron Jones, nos Estados Unidos, em 1967, prova que não é bem assim. Enquanto ministrava aulas sobre a Alemanha nazista, questionamentos como os citados acima surgiram entre seus alunos e, pelo desconhecimento da resposta e tempo disponível, o professor decidiu explorar um pouco mais o tema através de uma simulação de um governo autoritário: surge então a Terceira Onda.

O cinema francês do século XXI

A produção cinematográfica francesa durante o início do século XXI parecia estar passando por crises, tendo cortes nos patrocínios. Apesar disso, o período produziu grandes obras e alguns dos seus mais bem sucedidos filmes, tanto para o mercado doméstico quanto para o mercado internacional. Os filmes produzidos na época possuem natureza eclética, por exemplo, o diretor Laurent Cantet foi da investigação sobre as turistas sexuais no Haiti no filme Em direção ao Sul (2005) ao incrível drama Entre os muros da escola (2008). 

Grande parte das produções da década que obtiveram sucesso internacional envolveu o cineturismo¸ mostrando clichês sobre as características dos franceses. O grande marco dessa tradição foi O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001). Outra marcante produção francesa foi a biografia da ilustre cantora Edith Piaf, intitulada Piaf – Um hino de amor (2007). Forasteiros que chegaram para trabalhar na França ofereceram uma perspectiva diferente: por exemplo, Michael Haneke (mesmo diretor de Amour) trouxe um olhar diferente sobre a História colonial da França em Caché (2005). 

A tecnologia em tempos de guerra

No período que foi de aproximadamente 1945 a 1991, o mundo viveu a famosa Guerra Fria:, um conflito político e ideológico no qual as principais potências que emergiram como vencedoras ao fim da 2ª Guerra Mundial, Estados Unidos e União Soviética, buscavam espaços de influência no planeta para implantar o modelo capitalista, no caso dos EUA, ou o modelo socialista, no caso da URSS. Além dessa constante busca por territórios, houve também a corrida armamentista, provocando um alto investimento no setor bélico, na busca por produzir mais armas que o inimigo. Aperfeiçoaram-se as antigas armas remanescentes da guerra recém-acabada, produziu-se a bomba de hidrogênio, mais poderosa que a bomba atômica, e assim seguiu o ritmo de avanço da tecnologia bélica, ao ponto que, na década de 1960, as duas potências já possuíam armas suficientes para destruir todos os países do mundo, e este passou a viver um “equilíbrio do terror”.

Renato Russo já dizia que “uma guerra sempre avança a tecnologia. Mesmo sendo guerra santa, quente, morna ou fria”. De fato, no período bipolar, os meios de comunicação também receberam grandes investimentos, visto que era necessário que os Estados Unidos, por exemplo, se comunicasse com o Japão, na Ásia, e com os países da Europa Ocidental e das Américas Central e do Sul, que encontravam-se sob sua influência. O mesmo vale para a União Soviética e os países sob o seu domínio – a maior parte da Ásia e o Leste Europeu. Os investimentos em tecnologia funcionavam como uma forma de se mostrarem superiores aos seus inimigos, mostrarem mais poder. É nesse contexto também que foram enviadas as primeiras missões ao espaço, na chamada Corrida Espacial, e, assim, o homem acabou chegando à Lua, na missão Apollo 11.

Regresso?


É muito comum associarmos juventude à rebeldia. Ou pelo menos é normal esperarmos dos jovens que eles se inquietem com os padrões estabelecidos pela sociedade e que, consequentemente, anseiem por mudança. Isso era, pelo menos, o que estávamos acostumados a esperar dos jovens das décadas de 50 e 60, por exemplo. Costumávamos sentir deles uma grande determinação e necessidade de abolir a ordem natural e positiva das coisas. Tais jovens desejavam este perfeito igualitarismo e o fim de todas as inibições de tal forma que procuravam obtê-los através de revoluções, como fizeram os jovens, grande maioria parisienses, em maio de 1968 na Revolução Cultural de Sorbonne, cujo lema era "é proibido proibir".

Se olharmos para a juventude após essa revolução, mais precisamente a juventude pós-moderna, e a compararmos com a das décadas passadas, podemos afirmar que a Revolução de Sorbonne realmente modificou os costumes, hábitos e modos de ser dos jovens. Nesse sentido, podemos perceber neles vestimentas mais extravagantes, e até "imorais", e o uso de um palavreado mais adulterado.Contudo, parece que essas mudanças param por aí. Se olharmos com um olhar mais aprofundado, o que realmente se percebe é que a forma de pensar desses jovens parece ter sofrido um "revertério" e os antigos ideais foram substituídos por ideais cada vez mais conservadores. Fazendo, portanto, com que a revolução pareça ter tido um resultado completamente oposto ao desejado.

Educação para o respeito às diferenças

A educação e os problemas relacionados à sua plena implementação compõem um tema que fundamenta algumas das principais discussões acerca dos obstáculos que impedem um melhor desenvolvimento social e humano. Essas dificuldades são ainda mais intensas e perceptíveis no ensino básico, setor em que, embora vejamos projetos como o da obrigatoriedade do ensino de História e cultura da África e o do malsucedido "kit contra a homofobia", a preocupação governamental brasileira é, há décadas, quase que exclusivamente quantitativa: matricular e aprovar um grande número de estudantes.

Hoje, pensamos em ensino formal e "educações" voltadas especificamente para crianças e jovens, mas nem sempre houve essa preocupação. Philippe Ariès, em sua "História Social da Criança e da Família", clássico da chamada História das mentalidades, demonstra como a noção de infância enquanto estágio específico do desenvolvimento humano é recente. Segundo o historiador, antes do século XVIII, a criança e o jovem eram vistos como adultos em miniatura, não possuindo, então, nenhuma particularidade. Os jogos dos quais participavam, suas roupas e sua sociabilidade eram os mesmos dos adultos. Portanto, a ideia de uma educação específica, de um ensino formal voltado para a formação e o desenvolvimento de aptidões básicas para o aprimoramento motor e cognitivo da criança e do adolescente, não é uma preocupação muito antiga.

Decorrente dessa mudança de mentalidade, a escola, como a conhecemos atualmente, é uma invenção ainda jovem. A Pedagogia, por exemplo, surge como conhecimento cientificamente organizado apenas na segunda metade do século XIX. Não por acaso, os nomes mais famosos a respeito do estudo da educação e de seus procedimentos psicológicos são intelectuais novecentistas (século XX): Piaget, Vigostsky, Paulo Freire. Sendo assim, alguns dos problemas com que nos deparamos no ensino básico só são entendidos como problemas há menos de duzentos anos. Já a intolerância e a discriminação, tão presentes no mundo escolar, ainda nem eram percebidas como problemas. Pelo contrário, havia estudos pseudocientíficos que justificavam a superioridade social dos brancos em relação aos negros e demais etnias não-europeias pelo seu suposto componente racial, naturalizando, por meio de observações das diversidades fenotípicas da (única) espécie humana, condições históricas de submissão compulsória. Eram concepções completamente etnocêntricas*.