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Maus - A história de um sobrevivente

Livros, filmes, documentários. Muita coisa já foi produzida para relatar, informar, fazer refletir sobre a famosa e terrível Alemanha nazista, logo, todos nós conhecemos a História ou uma parte dela. Eu mesma já ouvi, li e assisti bastante coisa relacionada ao assunto e nunca me canso de fazê-lo. Não sou uma neonazista nem nada do tipo. Apesar de ficar assustada com os horrores que leio, assisto ou ouço, acho importante estudar o passado para melhor compreender o presente. A História se repete. Porém, não estou escrevendo para dizer que estudar História é fantástico e que vocês deveriam fazer o mesmo mas é fantástico e vocês deveriam. Este texto é para falar sobre um dos livros mais incríveis feitos até então sobre o nazismo, na minha opinião, é claro: "Maus – A história de um sobrevivente".

Do escritor e cartunista Art Spiegelman, Maus narra a história de seus pais, judeus que sobreviveram ao Holocausto (a mãe por pouco tempo), contada pelo seu pai Vladek Spiegelman. Com o primeiro volume lançado em 1986 e o segundo em 1991, diferente de tudo que já havia sido feito, o livro surpreende logo no inicio por ser uma história em quadrinhos, rompendo com a ideia de que quadrinhos são humorísticos ou suaves. Desenhado em preto e branco, alternando entre o presente e o passado, em Maus, os judeus são ratos, os alemães são gatos, os poloneses porcos e os americanos cães, em uma representação crítica e irônica ao mesmo tempo.

Persépolis

Uma garota de oito anos, iraniana, nascida em uma família moderna e politizada, sonha em ser profetiza quando crescer, pois assim terá poder para mudar o mundo – planos discutidos com Deus, com quem costuma conversar –, admiradora de ícones como Che Guevara, Fidel Castro e Trotsky, vive, em 1978, uma revolução para tirar do poder o ditador Xá. Essa é a história narrada por Marjane Satrapi em sua incrível e emocionante autobiografia em quadrinhos, que passa pela infância, adolescência e a idade adulta, mostrando seu amadurecimento em relação à política e à cultura de seu povo, fazendo referência à antiga capital do império Persa, Persépolis, que dá o nome ao livro.

Entretanto, a tentativa revolucionária de derrubar mais uma dominação política entre tantas já vividas pelo povo persa desde a invasão árabe, no ano de 642 - o que levou os persas, arrasados, a adotarem o islamismo, mais uma vez acabou com o poder sendo tomado por um regime injusto e autoritário, fato conhecido historicamente como a Revolução Islâmica, que deu origem à República Islâmica que dura até hoje no Irã. Foram mais oito séculos nos quais a Pérsia não existiu como uma nação independente e autônoma, mas nos quais, impressionantemente, manteve suas tradições culturais e sua língua.

A arte de Fábio Moon e Gabriel Bá

Minha caminhada como leitor foi grande, passei por várias fases - gibis, mangás, quadrinhos - até finalmente chegar à literatura. E ainda hoje tenho grande apreço por cada uma dessas fases. Portanto, não é segredo, pelo menos para os meus amigos, o fato de eu ser um grande fã de histórias em quadrinhos. Infelizmente, ainda hoje, as histórias em quadrinhos são tidas como uma espécie de "arte menor" por supostamente terem um conteúdo de teor infantil. Todavia, embora poucos tenham conhecimento, nem todos os quadrinhos são sobre crianças aventureiras e heróis superpoderosos, foi na Nona Arte que surgiram diversas obras-primas adultas, como Maus de Art Spiegelman, Persépolis de Marjane Satrapi, 300 de Frank Miller, V de Vingança de Alan Moore e Sandman de Neil Gaiman.

Se no mundo como um todo já há uma desvalorização das HQs, no Brasil esse problema é muito mais agravante. Essa ideia de a Nona Arte ser inferior talvez remeta ao fato de que não há no país a tradição dos quadrinhos voltados para o público jovem e adulto. No Brasil, o que temos são clássicos infantis, como a Turma da Mônica do Maurício de Sousa e o Menino Maluquinho do Ziraldo. Excelentes, sem dúvida, mas pouco atraentes para o público mais maduro.