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É democrático ser antidemocrático?

Nas últimas semanas, acompanhamos as lamentáveis declarações de Joelma em entrevista concedida à revista Época. Em meio a um contexto de ascensão do "religiosismo" conservador de determinados setores do cristianismo brasileiro, representados na pessoa do intragável pastor Marco Feliciano, a cantora da Banda Calypso incitou tanto protestos progressistas quanto confusas defesas reacionárias. Não sei se a direita política nalgum momento já soube argumentar de forma razoavelmente coerente, sem atropelar os supostos interesses democráticos presentes mesmo em seu débil discurso – ainda mais débil do que suas ações –, mas desta vez conseguiram superar inclusive os limites de sua ignorância e de sua retórica capciosa.

O capital

Sou acadêmico de engenharia de produção, curso no qual são ensinados meios de otimizar a produção de qualquer empresa (ou seja, produzir mais com menos), e por empresa entenda qualquer tipo de negócio, de uma multinacional ao mercadinho da esquina, para assim obter-se mais lucro, é claro. Como um professor meu já disse em sala de aula, esse é, provavelmente, o curso mais capitalista que existe. Até ai, tudo bem, eu acho.

Mesmo entre aulas mal assistidas, respostas copiadas e seminários improvisados, posso afirmar que aprendi muitas coisas sobre o mundo ao meu redor e como ele funciona movido pelo capitalismo. Por exemplo, ao entrar em uma loja, presto atenção na organização e no preço dos produtos, na abordagem feita pelos funcionários etc, comerciais também me levam a refletir “será que todo dentista é bonito e branco?” ou “eu nunca vi garçonetes desse jeito!”, entre outras coisas.

Cidadania para quem?

Ao contrário do que muitos pensam, ser cidadão não significa apenas pertencer a uma comunidade, ter certidão de nascimento e, tampouco, ter o direito, que se tornou, em certo ponto, dever, de votar. Ser cidadão é algo muito mais básico e profundo que isso. Bem, se procurarmos por uma definição no dicionário, encontraremos algo como: cidadão é o indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado; indivíduo que possuí direitos civis, políticos e sociais que lhe garantem a participação na vida política, ou algo em torno disso.

No entanto, podemos afirmar que somos todos cidadãos? Que todas as pessoas gozam de todos os seus direitos - direitos esses que deveriam ser garantidos por esse Estado? Não. Basta olharmos com mais atenção para o já citado ato de votar, por exemplo. Como podemos afirmar que estamos exercendo nosso papel de cidadão enquanto votamos se nem sequer temos o poder de decidir quem serão os eleitos à disputa? Ou seja, estamos cada vez mais deparados a “cidadãos” que são apenas meros espectadores de uma política que nos é imposta, não tendo direito a escolhas, requisito básico para se pensar em cidadania.

Meia verdade, mentira completa

Charles Foster Kane, dono do maior império jornalístico americano, na primeira metade do século vinte, conseguiu ser vítima da pobreza e da riqueza e ainda sair da vida para entrar na história como um vilão. Tudo isso em uma só vida. Trata-se aqui de uma obra fictícia, o filme Citizen Kane (“Cidadão Kane”, no Brasil), dirigido, escrito e interpretado por Orson Welles, em 1941.

A obra é conhecida principalmente por suas contribuições técnicas, que produziram uma profunda inflexão sobre o curso da linguagem cinematográfica. Muitos a consideram a obra mais importante desde a invenção do cinematógrafo pelos irmãos Lumière. Por outro lado, há um vasto e profícuo conteúdo social e político a ser discutido.

Você já ouviu falar do Butão?

Quando estava no último ano do Ensino Fundamental, apresentei um seminário sobre o Subcontinente Indiano - região formada por Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal, Butão, Sri Lanka e Maldivas - e, ao fazer o estudo para o seminário, fiquei fascinado por essa região. Que jovem, aliás, não fica fascinado ao ouvir histórias de lugares exóticos? Algumas semanas atrás, ao fazer uma visita ao site da National Geographic Brasil, eis que me aparece uma reportagem sobre o Butão, esse pequeno país localizado na Cordilheira do Himalaia.

O motivo de o Butão vir a ser foco de reportagem: em 2008, foram realizadas as primeiras eleições do país, que passou de uma monarquia absoluta para uma monarquia constitucional, como o Reino Unido. Entretanto, não ocorreu nenhuma revolução com fins de derrubar a monarquia, o rei - o quarto do país - abdicou ao trono, que foi ocupado pelo seu filho, e estabeleceu eleições para primeiro-ministro. O povo butanês, porém, não viu a democracia com olhos tão bons quanto o rei, eles acreditavam plenamente no seu antigo monarca.

Um povo que não simpatiza com a democracia, mas com o despotismo. Irônico, não é? Um verdadeiro tapa na cara do Mundo Ocidental, que viveu tantas revoluções sangrentas para conquistar a democracia. Essa 'novidade' novamente levantou minha curiosidade sobre esse país e me deu inspiração para conhecer mais sobre esse lugar fabuloso.