Mostrando postagens com marcador Thamires Rafael. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Thamires Rafael. Mostrar todas as postagens

A Paris de Woody Allen


Dirigido e roteirizado por Woody Allen, Meia-Noite em Paris é, para mim, uma das melhores histórias do cineasta. A impressão que temos é que Paris e Allen aguardavam por esse encontro há tempos, o que resultou em um filme fantástico. Woody Allen, através do filme, exalta Paris e faz uma homenagem aos seus artistas preferidos.

Tim Burton: um adulto com cabeça de criança

Era uma vez um menino solitário que era ignorado pelas pessoas à sua volta. Em vez de amigos normais, ele cresceu gostando de monstros e cachorros. A imaginação hiperativa do adolescente reinterpretava tudo o que via, fazendo até sua própria casa virar o castelo do Barba Azul. Essa criatividade exuberante, arrancada da maioria de nós pelo conformismo e as responsabilidades da vida adulta, criou um mundo de sonhos sombrios e pesadelos coloridos, um mundo que podemos experimentar ocasionalmente através dos filmes de Tim Burton, que foi bastante influenciado por clássicos de monstros em preto e branco, ficção científica dos anos 1950, desenhos animados que passavam na TV nos sábado de manhã e contos de fadas.

Você talvez o ache um cara estranho, afinal, Burton só se veste de preto, faz filmes bizarros e desenhos com monstros. Mas ele, na verdade, é apenas um adulto com cabeça de criança, ainda tímido, que adora expressar em seus filmes tudo que se passa em sua mente criativa.

O cinema francês do século XXI

A produção cinematográfica francesa durante o início do século XXI parecia estar passando por crises, tendo cortes nos patrocínios. Apesar disso, o período produziu grandes obras e alguns dos seus mais bem sucedidos filmes, tanto para o mercado doméstico quanto para o mercado internacional. Os filmes produzidos na época possuem natureza eclética, por exemplo, o diretor Laurent Cantet foi da investigação sobre as turistas sexuais no Haiti no filme Em direção ao Sul (2005) ao incrível drama Entre os muros da escola (2008). 

Grande parte das produções da década que obtiveram sucesso internacional envolveu o cineturismo¸ mostrando clichês sobre as características dos franceses. O grande marco dessa tradição foi O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001). Outra marcante produção francesa foi a biografia da ilustre cantora Edith Piaf, intitulada Piaf – Um hino de amor (2007). Forasteiros que chegaram para trabalhar na França ofereceram uma perspectiva diferente: por exemplo, Michael Haneke (mesmo diretor de Amour) trouxe um olhar diferente sobre a História colonial da França em Caché (2005). 

Uma dose de cinema brasileiro, por favor

Decidi escrever um texto sobre o cinema brasileiro para tentar, apenas tentar, fazer com que as pessoas tirem da cabeça a ideia de que cinema nacional não é bom ou de que o cinema americano é infinitamente melhor. Já ouvi tantos absurdos sobre isso como, por exemplo, “cinema brasileiro é tão ruim que precisa de uma lei para nos obrigar a assistir”, me pergunto se pessoas que pensam dessa forma nunca assistiram a Central do Brasil, Cidade de Deus, Abril Despedaçado, Cinema, Aspirinas e Urubus e uma infinidade de outros filmes brasileiros que são verdadeiras obras-primas.

A fascinante Sétima Arte

Sou fanática pelo cinema (fato que você já deve ter percebido devido a se tratar de um tema frequente nos meus textos). Os filmes sempre foram uma grande paixão minha, tanto que passo noites e mais noites sem dormir assistindo-os. Há algum tempo comecei a pesquisar mais sobre o assunto - pesquisei sobre a origem e a evolução dessa incrível forma de expressão - e acabei me apaixonando mais ainda.

Tudo começou quando os irmãos Lumiére, no ano de 1895, inventaram o cinematógrafo e ficaram conhecidos historicamente como os fundadores do cinema. Nesse mesmo ano, aconteceu também a primeira sessão de cinema, proporcionada justamente pelo trabalho desses franceses. Seus filmes eram pequenos, com aproximadamente três minutos cada, e dentre esses primeiros filmes a serem exibidos estava A Chegada do Trem na Estação, que mostrava, obviamente, a chegada de um trem a uma estação ferroviária. Reza a lenda que, conforme a locomotiva aproximava-se cada vez mais da câmera, os espectadores começaram a pensar que seriam atropelados pela máquina, correndo alucinadamente para fora das dependências do teatro. Era o início de uma das evoluções mais importantes da Era Pós-Industrial, ainda estranhada pelos olhos virgens da população ignóbil da época - e quando falo ignóbil, me refiro ao sentido tecnológico, não cultural. Nos dias atuais, um simples vídeo de três minutos com um trem chegando à estação pode parecer simplório e ser tachado como besteira, entretanto, imagine-se vivendo no século XIX, época na qual tudo referente à tecnologia era novidade, e me responda como você se sentiria e qual seria sua reação? Provavelmente a mesma do pequeno grupo de telespectadores dessa sessão de cinema.

O Brasil que o país desconhece

Zach Condon, vocalista do Beirut, durante apresentação em São Paulo.
Somos bombardeados diariamente pela cultura de outros países e algumas vezes acabamos absorvendo essa cultura e esquecendo a cultura brasileira. Algumas pessoas - os jovens, em sua grande maioria - escutam apenas músicas internacionais e acabam não conhecendo a própria música brasileira, que engloba artistas de uma qualidade incrível – não, eu não estou falando de artistas que cantam músicas com letras sem sentido e com refrão monossilábico, estou falando de artistas como Cazuza, Tom Jobim, Elis Regina, Chico Buarque, Caetano Veloso, Tiê, entre outros artistas que, por mais incrível que possa parecer, fazem mais sucesso no exterior do que no Brasil.

Revolucionários de poltrona

Pertencemos, de certa forma, a uma geração que quer ser "revolucionária", mas não como a geração dos anos 60, com os chamados hippies, que lutavam contra os princípios do capitalismo e eram contrários às guerras que estavam acontecendo no mundo. Hoje, somos "revolucionários" na frente de um computador.

A grande maioria das pessoas vive conectada às redes sociais e passa boa parte desse tempo compartilhando imagens ou ideias a respeito das desigualdades existentes no planeta, mostrando aos outros usuários o quanto se "preocupam" com os outros, mas essa preocupação muitas vezes não sai do mundo virtual.

Em vez de ficarmos falando nas redes sociais que nos importamos com os outros e com o que ocorre de errado ao nosso redor, devemos realmente fazer algo (e isso sem precisar mostrar para todos o que estamos fazendo).

Obcecado pela perfeição

"Depois de cinco tomadas, qualquer pessoa no mundo consideraria minha filmagem boa. Depois de catorze, seria quando até eu a consideraria perfeita. Mas depois de trinta, eu estava entrando em um novo domínio. Eu estava realmente consciente onde este pé ou aquele dedo estavam. Era fantástico." (Garret Brown, inventor e operador do Steadycam em O Iluminado)

Com uma carreira que durou cerca de 50 anos e autor de apenas doze filmes e dois curtas, o norte-americano Stanley Kubrick poderia passar por preguiçoso. Isso se ele não tivesse sido o obsessivo perfeccionista criador de grandes obras-primas como 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968) e Laranja Mecânica (1971). 

Stanley era conhecido por ser extremamente exigente com os atores que faziam parte de seus filmes. Em seu último filme, De Olhos Bem Fechados (1998), conseguiu chegar a cem inacreditáveis takes em uma única cena.

O peso de carregar o personagem

Quem nunca assistiu a um filme e viu um ator extremamente conhecido por um determinado personagem e como não se lembrou de seu nome o chamou pelo nome do personagem?

Alguns atores e atrizes ficam famosos por um determinado personagem que fizeram e algumas vezes, mesmo interpretando outros personagens, ficam conhecidos apenas pelo de maior sucesso. O problema é comum, já afetou grandes estrelas do cinema e das séries de TV. 

Os hollywoodianos chamam de typecasting o fenômeno em que os atores e atrizes tornam-se conhecidos por interpretar personagens clássicos e, depois disso, não conseguem ser vistos de outra forma. Eles sempre correm o risco de decepcionar os fãs ao atuar em papéis que entram em choque com a identidade do personagem, até porque, geralmente, o protagonista tem um caráter positivo e qualquer desvio nessa conduta pode significar um afronta ao público.

Luz, câmera... corta!

Alguns filmes que marcaram a minha infância, e provavelmente a sua também, foram feitos usando a técnica de stop motion. Alguns desses filmes são "O Estranho Mundo de Jack" (1993), "A Fuga das Galinhas" (2000) e "A Noiva-Cadáver" (2005). Essa é uma técnica de animação quase tão velha quanto o cinema e que ganhou fôlego com o filme dirigido por Tim Burton em 1993.

A técnica de stop motion é fascinante, uma vez que o trabalho é braçal, sendo necessários 24 quadros por segundo (padrão do filme convencional) e só assim, ao unir a sequência de imagens, cria-se a ilusão de movimento. Uma animação usando tal técnica requer um domínio perfeito do movimento, uma vez que consiste em fotografar um objeto real várias vezes, com mudanças mínimas de posição a cada "click".

Essa técnica tem alcançado resultados louváveis nas telas e é capaz de dar vida a seres inanimados e de produzir efeitos incríveis e impossíveis com lápis, papel ou desenho vetorial. O custo de produção é alto e a dedicação para a produção de um filme é praticamente integral, ainda assim grandes estúdios apostaram na técnica e criaram verdadeiras obras-primas como "Wallace e Gromit: a Batalha dos Vegetais" (2005).