Trocando papéis

Quem aqui nunca foi advertido por fazer algo que era "coisa de homem" ou "coisa de mulher"? Eu, por exemplo, já passei por isso inúmeras vezes, quando me diziam que "mulher que fala palavrão é muito feio" ou, a mais antiga que eu me lembro e talvez a mais marcante, quando meu pai brigava comigo por eu, ainda criança, sentar de pernas abertas. Sabe? Que nem um menino. Mas não sou só eu que sofre com isso. Lembra quando homens não podiam usar rosa? Pois é, não faz muito tempo. Ou, ainda, quantas vezes você já ouviu que mulheres são melhores na cozinha do que os homens ou qualquer outra das milhões de frases assim?
Pois é, meu caro, esses são os famosos estereótipos de gênero, que criam modelos "perfeitos" para serem seguidos pela sociedade e que, se por um acaso forem quebrados, causam-nos tremendo espanto e, muitas vezes, chegam a ser ridículos. Bem, isso é o que o fotógrafo americano Rion Sabean, criador da série de fotografias Men-ups!, em apologia às famosas Pin-ups, tenta nos mostrar. Nessa série, que você pode ver aqui, o fotógrafo, na verdade, lança-nos um questionamento: por que que mulheres em certas poses são sensuais e homens, na mesma pose, são ridículos?

Talvez isso seja um reflexo de como a mídia trata tanto os homens quanto as mulheres, tornando esse estereótipo tão culturalmente enraizado que, quando invertemos os papéis, somos invadidos por essa sensação de ridículo. Essa teoria foi posta em prática por algumas alunas do curso de estudos de gênero da Universidade de Saskatchewan, no Canadá, que produziram um vídeo no qual os papéis que os homens e as mulheres executam em anúncios reais são invertidos. O resultado, é claro, é espantoso e nos mostra o quanto esses comerciais tratam a mulher de forma subordinada e de forma extremamente sexualizada a fim de vender um produto.

Mas não se engane, não são só as mulheres que sofrem com esses estereótipos. A forma pela qual a mídia nos apresenta seus estereótipos afetam a forma como o homem, e também a própria mulher, enxerga o corpo feminino e masculino, afetando ambos os lados. A esse respeito, há uma pesquisa recente (que você pode ver aqui) que me deixou igualmente espantada. Segundo o estudo, enxergamos o homem como um todo e a mulher em partes. Não entendeu? Bem, o que a pesquisa mostra é que, tanto homens quanto mulheres, ao olharem para um homem, enxergam-no como um corpo só, por inteiro, sem separações. No entanto, quando olham para uma mulher, são incapazes de a enxergarem como uma só, separando-a em partes, como seios, barriga, bunda, pernas, cabeça etc.

Essas diferentes formas de visão são descritas pelos pesquisadores como processamento global” e “processamento local”. Segundo eles, esse processamento local é como pensamos em objetos e o processamento global  é o que evita que façamos essa separação com seres humanos. Não dividimos pessoas em partes – exceto quando se trata de mulheres, o que nos leva a perceber que as mulheres realmente são percebidas da mesma forma que objetos. Além disso, os pesquisadores sugerem que os homens as veem assim pelo fato de procurarem parceiras em potencial e as mulheres pelo fato de se compararem a elas, como se estivessem em constante competição.


Mas será que vemos as mulheres assim simplesmente porque é assim que o nosso cérebro funciona e sempre funcionou? Ou será que, talvez, seja porque os estereótipos de gênero estão tão firmados em nossas mentes, desde os nossos antepassados gentílicos (ou antes), que acostumamos o nosso cérebro a isso? Será que se houvessem algumas políticas para tentar fazer com que o desacostumemos, como mudando a imagem da mídia, não obteríamos resultados positivos? Será que não conseguiríamos finalmente nos livrar dos estereótipos de gênero e fazer com que as mulheres passem a não mais serem vistas como objetos e e que possamos livrar os homens da depressão por não serem "machos alfa" dominantes? Pense nisso.

Fonte das imagens: Obvious.

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