Pop in Rio


Caso você tenha passado os últimos dias longe do planeta Terra e não saiba, nas duas últimas semanas foi realizada a 10ª edição do Rock in Rio, sendo apenas a 5ª edição em terras tupiniquins, tendo as demais sido realizadas em Portugal. E o que mais me chamou a atenção quanto ao festival não foi ele em si, e sim aquelas pessoas opinando sobre a inclusão, mais uma vez, de artistas da música Pop no Line-Up do festival.

Outro (não) acontecimento bastante interessante sobre essa suposta "traição" feita pelos organizadores ao “sujarem” o Rock in Rio com Beyoncé, Justin Timberlake e outros cantores,  é o fato de que, entre todas as pessoas que ouvi reclamar, nenhuma delas foi para um dia sequer do festival. Ou seja, a partir de minha humilde análise psicossocial, essa onda toda de ódio contra os artistas pop se alimentava apenas de recalque. Sim, esse tão famigerado sentimento que é a força motriz de praticamente toda a internet, mas isso é assunto para outro texto.


Retomando, a não ser que você faça como o Alexander Supertramp e se desvencilhe de praticamente todos os aspectos capitalistas que nos envolve, você vai, ao menos, apreciar ter dinheiro para sei-lá-o-quê que você deseja fazer.

Pois então, o Rock in Rio, ao contrário do que muitas pessoas parecem acreditar, não é uma entidade, e muito menos é realizado por um deus do Rock. Na verdade, por mais incrível que possa parecer para alguns, o festival é organizado por pessoas (empresários), e nem são pessoas que necessariamente gostam de Rock, mas sim por pessoas que, definitivamente, gostam de quê, hein? Alguém sabe me dizer? Paçoca? Não! Dinheiro? Sim! Caso você tenha acertado, já pode se desconsiderar um completo imbecil, caso contrário... E esses artistas da música Pop, assim como os de Rock, geram muito dinheiro, e é isso. Os responsáveis pelo festival ganham dinheiro e ficam felizes, os fãs da Ivete Sangalo e do David Guetta também por irem ao show, enquanto outros ficam em casa lamentando e reclamando de coisas que não levam a absolutamente nada, justamente por não terem ido ao show e muito menos terem ganhado algum dinheiro com isso.

Já escrevi, anteriormente, um pouco sobre música em si, e disse que há uma coisa que falta muito em nós, Homo sapiens: o respeito aos outros. O que faz eu me lembrar de um episódio lamentável, quando o Carlinhos Brown foi agredido verbal e fisicamente por garrafas d'água, durante seu show na edição de 2001 do Rock in Rio, tornando-o um dos precursores de estilos "alternativos" dentro do festival e, provavelmente, o que mais sofreu com esse ódio injustificado, como se ele fosse, de alguma forma, "culpado" por estar ali.


Eu, sinceramente, não sei o que faz uma pessoa  neste caso, milhares  sair de casa para jogar garrafas d'água em alguém, que está apenas fazendo um show que não corresponde ao estilo que essa pessoa acha que um ambiente deve ter. Eu realmente me surpreendo cada vez mais com a humanidade e isso, boa parte das vezes, não é nada bom.

Particularmente, não me atraio tanto assim por festivais de música, pois sou daqueles que, quando vai para o show de suas bandas preferidas, gosta de ficar o mais perto possível do palco. Ou seja, em festivais dessa magnitude, o sacrifício para ficar próximo às bandas é um pouco demais para mim, e, ao ver atitudes deploráveis como essa com o Carlinhos Brown e muitas outras em redes sociais, desanimo-me ainda mais. Talvez um dia eu vá para o Rock in Rio, não sei dizer, e talvez um dia algumas pessoas se tornem menos estúpidas e saibam respeitar os outros ficando quietas em casa assistindo ao show de sua banda preferida na TV.

Fonte das imagens (respectivamente): Rock in Rio e Paradise Party.