Uma banda de música produz um
filme sem exageros na trilha sonora. Sem muitos ruídos, silencioso até o final. Sem
diálogos ou narração contados por meio de legendas, como se fazia nos primeiros
anos do cinema. Nada, serenidade total. Não há muitas expressões faciais
também. Na verdade, os personagens nem rostos têm. Ora capacetes, ora
máscaras de cera, são sempre cabeças artificiais, manualmente produzidos, obras
do desenvolvimento tecnológico humano. Um filme que fala sobre a humanidade em
busca de si. A banda é Daft Punk. O filme, Electroma.
Escrito e dirigido em 2006 pelos
franceses Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, o filme contou com a
colaboração de mais dois roteiristas, Cédric Hervet e Paul Hahn. Thomas e Guy,
os criadores de Daft Punk, um dos grupos mais criativos da música eletrônica
atual, tornaram-se mais conhecidos depois da trilha sonora produzida para o
filme Tron: Legacy, de 2010. Suas
performances de palco e seus videoclipes apresentam elevado refinamento
técnico, sempre envolto ao tema tecnológico, misturando exaltação e crítica a
esse mundo cada vez mais robotizado em que vivemos. Fantasiado de androide, o
grupo, ou a dupla, utiliza diversas ferramentas sonoras e visuais do mundo
moderno para criticá-lo na mesma medida em que o idolatra. Technologic talvez seja sua música mais emblemática, principalmente
quando assistimos ao seu videoclipe. A partir de letras extremamente simples, mas bem
manobradas, como Buy it, use it, break
it, fix it/Trash it, change it... [compre, use, quebre, conserte, descarte, troque], Daft Punk cria um cenário atrativo,
dinâmico e enérgico – além de macabro, quando estampa o consumismo e a corrida
tecnológica desenfreada sendo representados pela cara de um esqueleto meio robô, meio Chucky, o boneco assassino. A banda é pulsante.