Nós somos infinitos

Depois de ler Grande Sertão: Veredas, procurei por uma leitura mais leve, e eis que me apareceu um livro juvenil intitulado As vantagens de ser invisível, de Stephen Chbosky. Juro que não tinha muitas expectativas quanto à qualidade literária da obra, porém Chbosky conseguiu me surpreender com sua escrita única e personagens encantadores e, mais além, deixou-me atormentado indagando o porquê de não ter lido esse livro durante os meus 15/16 anos.

As vantagens de ser invisível é um romance epistolar no qual o protagonista, um jovem americano de classe média chamado Charlie, conta a sua história a partir de cartas destinadas a um "amigo", o qual o próprio narrador desconhece. O mais novo de três filhos, Charlie é apaixonado por literatura, acaba de entrar no Ensino Médio e o seu único amigo comete suicídio. Como ele mesmo diz: "Então, esta é a minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim."

Revolucionários de poltrona

Pertencemos, de certa forma, a uma geração que quer ser "revolucionária", mas não como a geração dos anos 60, com os chamados hippies, que lutavam contra os princípios do capitalismo e eram contrários às guerras que estavam acontecendo no mundo. Hoje, somos "revolucionários" na frente de um computador.

A grande maioria das pessoas vive conectada às redes sociais e passa boa parte desse tempo compartilhando imagens ou ideias a respeito das desigualdades existentes no planeta, mostrando aos outros usuários o quanto se "preocupam" com os outros, mas essa preocupação muitas vezes não sai do mundo virtual.

Em vez de ficarmos falando nas redes sociais que nos importamos com os outros e com o que ocorre de errado ao nosso redor, devemos realmente fazer algo (e isso sem precisar mostrar para todos o que estamos fazendo).

A novela do Mensalão

Em um país no qual pelo menos 70% das conversas entre pessoas são voltadas a este assunto banal chamado "novela"*, não é de se estranhar quando se percebe uma transgressão dessa ficção para o mundo real, ou seja, quando vemos que alguns tentam transformar a vida numa novela, fazendo de outras pessoas personagens que desempenham papéis específicos e comuns desse gênero televisivo: o vilão e o herói, por exemplo. É o que está acontecendo atualmente com o caso Mensalão – e a Imprensa, é claro, não poderia perder essa oportunidade para "colocar lenha na fogueira".
É sempre aquela história de superação do mocinho coitadinho que ascende socialmente e vira um herói, enquanto tem um vilão à espreita tentando impedi-lo de ter sucesso e tornar o mundo um lugar pior para viver. Pois é, eu disse "aquela história", com "h" minúsculo e não "aquela História", com "H" maiúsculo. Ou seja, é coisa de ficção. Vamos ser sinceros: a vida não é tão fácil de se analisar assim. Não mesmo. Mas é assim que muita gente está achando que é, a ponto de forçar a barra e começar a ficar preocupante.

Escolhas para o seu futuro

Fim do ano se aproximando, o que vem por aí? Natal, Ano Novo, Dia das Crianças, Dia das Bruxas?! Não, vestibular... Lá vem outro me encher a paciência com revistinhas, conselhos ou fórmulas milagrosas para me fazer passar. Bem, fiz as provas há dois anos, sei como é estressante...

Assistir aulas o dia todo, fazer simulados, estudar de forma redobrada (ou não): uma intensa rotina da qual todos querem se ver livres. O problema é que muitos pensam da seguinte forma: "Foda-se tudo, só quero sair do convênio/cursinho, sei que tudo vai melhorar sendo um universitário".