O lego abissal de Eliane Brum

Ela, o bloquinho. As pessoas, a caneta. A tinta, a vida que segue e finda, mas deixa marcas na história. É sempre com esses elementos que Eliane Brum apura a complexidade da vida real e a converte em história escrita. Mas só consegue obter êxito porque ela se esvazia, por um momento, de sua vida para ser preenchida por outras.

No sentido que o filósofo inglês John Locke (1632-1704) atribui à frase, vejo Eliane Brum como uma “folha de papel em branco”, disposta a ser preenchida com histórias de (supostas) pessoas comuns. “É uma escolha política”, diria ela. Mistura-se tanto às narrativas da vida alheia ao ponto de tomar decisões decisivas, como reapropriar-se de seu tempo. Também pode ficar doente, perder ou ganhar peso e adquirir — sem pretensão, claro — três hérnias cervicais. O que não muda nesse processo é seu abissal desafio pessoal de mostrar que cada vida é extraordinária, porque “a gente só existe como narrativa”.

Pequena Jazz

Se perguntando por que tem uma foto de um menino e o título é "Pequena Jazz"? Fácil, isso é porque a pequena Jazz, na verdade, nasceu como um menino biologicamente perfeito e, como sua mãe mesmo explicou, sem nenhuma anomalia cromossômica ou nada do tipo. O que aconteceu, no entanto, é que esse menininho percebeu que algo estava errado e  que deveria, na verdade, ser  uma menininha. Assim sendo, foi, aos três anos de idade, diagnosticado com transtorno de identidade de gênero.

Mas isso de uma hora pra outra? Não, segundo seus pais, seus dois irmãos e sua irmã mais velhos, Jazz nunca foi um menino. De acordo com eles, desde bebê, Jazz preferia roupas e brinquedos de menina e seus pais não se recordam de ela um dia ter se identificado com a sua condição biológica. Um fato interessante a respeito disso, foi quando ela, aos 2 anos de idade, perguntava a sua mãe quando a fada madrinha viria para trocar sua genitália.

Cidade para todos nós

Nos últimos meses, as ruas brasileiras foram palco de muitas, muitas manifestações. Várias bandeiras foram levantadas a respeito de diversos assuntos: Passe Livre, Ato Médico, PECs, royalties do Pré-Sal para a educação, "cura gay" etc, mas o que, pessoalmente, achei que não foi discutido o suficiente foi a questão das melhorias das cidades como um todo. Ok, reclamou-se do trânsito e da corrupção, mas o debate sobre a estrutura da cidade não ganhou a atenção devida. É por isso que resolvi falar disso, agora que a poeira baixou e a gente pode pensar com mais calma.

Reinado


Quem diria que um dia eu seria parte de um blog com amigos e que isso me proporcionaria, e promete proporcionar ainda mais, coisas maravilhosas. Afinal, já faz mais de um ano que estreei como colunista e comecei a levar essa história de escrever a sério. E é nesse clima saudosista que, novamente, falarei sobre mais uma de minhas paixões musicais, Kanye West - sendo inspirado pelo meu texto de estreia, "Hermanos", o qual, inclusive, se não me falha a memória, foi o primeiro texto de um colunista publicado no blog e que, se você também o leu na época em que foi publicado, isso significa bastante para mim e para toda a equipe do Fragmentos.

Mas vamos ao que realmente interessa: o lindo do Kanye a música. Essa não é a primeira vez que Kanye aparece por aqui, eu mesmo já o citei quando falei sobre gostos musicais, no texto "Harmônico". Apesar de Kanye não ser apenas um rapper, mas, sim, um artista - já que, além de fazer parte do cenário musical, ele também se aventura no mundo do cinema e da moda - meu foco será em sua música, a qual me surpreende e me encanta a cada novo projeto seu.