Minha caminhada como leitor foi grande, passei por várias fases - gibis, mangás, quadrinhos - até finalmente chegar à literatura. E ainda hoje tenho grande apreço por cada uma dessas fases. Portanto, não é segredo, pelo menos para os meus amigos, o fato de eu ser um grande fã de histórias em quadrinhos. Infelizmente, ainda hoje, as histórias em quadrinhos são tidas como uma espécie de "arte menor" por supostamente terem um conteúdo de teor infantil. Todavia, embora poucos tenham conhecimento, nem todos os quadrinhos são sobre crianças aventureiras e heróis superpoderosos, foi na Nona Arte que surgiram diversas obras-primas adultas, como Maus de Art Spiegelman, Persépolis de Marjane Satrapi, 300 de Frank Miller, V de Vingança de Alan Moore e Sandman de Neil Gaiman.
Se no mundo como um todo já há uma desvalorização das HQs, no Brasil esse problema é muito mais agravante. Essa ideia de a Nona Arte ser inferior talvez remeta ao fato de que não há no país a tradição dos quadrinhos voltados para o público jovem e adulto. No Brasil, o que temos são clássicos infantis, como a Turma da Mônica do Maurício de Sousa e o Menino Maluquinho do Ziraldo. Excelentes, sem dúvida, mas pouco atraentes para o público mais maduro.



